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Ácido Cítrico

textos dispersos de Pedro Santo Tirso

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R u r o u n i Kenshin

Março 25, 2020

Himura Kenshin

Rurouni Kenshin - Nobuhiro Watsuki

 

 

 

salvou-me a vida,

um dia, em Agosto.

 

Como salvou a vida de tantos,

(e tantos matou)

assim a minha salvou.

 

Foi numa pausa para lanche,

a meio de um dia quente,

em que tomei a lição

 

como uma epifania cansada

à última milha.

 

A sua espada de gume invertido

ensinou a minha fúria a ser fluida.

 

A sua leveza tomei-a minha.

 

E a prontidão do seu punho

do engenho a fiz própria.

 

Salvou-me a vida, um dia,

quando o caos a tentava

ganhar-me ao tempo certo.

 

Himura Kenshin apresentava fraca figura

simples, desmazelado.

 

Caminhava

para expressar andando

a passagem do tempo pelo corpo.

Vagueia. Mas para a frente.

Se pára é porque outras coisas se movem:

o coração ou a espada.

 

E se depois corre

o coração ou a espada desaparecem,

invisíveis aos nossos olhos,

desabituados dos desafios do tempo

em que as emoções se movem mais depressa

do que a luz.

 

Nesse exacto momento há um exacto ponto

onde convergem passado e futuro

e tudo se justifica numa presença

 

sem memórias nem esperanças,

apenas acto.

 

assim me salvou Himura Kenshin.

 

 

Publicado originalmente na obra colectiva Persona, editora do Lado Esquerdo (2015)

 

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